Biofeedback é uma ferramenta resultante do avanço tecnológico, em particular da bioengenharia, que possibilita a interação entre uma máquina e um sistema fisiológico a fim de coletar dados junto a um organismo para o entendimento dessa fisiologia. As informações obtidas poderão ser interpretadas a partir de conhecimentos científicos prévios, permitindo a construção de inferências, hipóteses e conclusões, e a preparação de intervenções e treinamentos experimentais que possam conduzir uma pessoa a aprender mais sobre si mesma, e promover melhores condições de saúde.

Essa coleta de informações pode se dar de muitas maneiras e com vários objetivos. Um desses objetivos é a análise do funcionamento do Sistema Nervoso Autônomo – SNA. O SNA sempre foi visto como um conjunto de funções biológicas auto-reguladoras do organismo, atuando de forma involuntária e num limiar abaixo do nível de consciência, portanto, imperceptível, a não ser pelos sinais fisiológicos decorrentes de seu funcionamento interpretados de forma subjetiva.

Através de dados coletados por equipamentos sensíveis a determinadas respostas fisiológicas, hoje sabemos objetivamente que o SNA exerce influência principalmente sobre a pressão arterial, a resistência galvânica periférica e o funcionamento cardíaco, sobretudo a freqüência cardíaca, e que essas funções orgânicas exercem influência sobre todo o resto do complexo fisiológico.

Entre os equipamentos desenvolvidos para esses fins, podem ser encontrados, por exemplo, os que permitem a medição da resistência galvânica da pele – “SCL[1] Biofeedback” – considerando que agentes tensionais geradores de estresse promovem alterações na condutividade cutânea; a captação e medição de ondas mentais produzidas pelo cérebro em forma de eletricidade – também conhecido por EEG[2] Biofeedback, ou simplesmente neurofeedback; a medição da temperatura do corpo – considerando-se que alterações fisiológicas e metabólicas acionadas pelo SNA promovem variações da temperatura corporal; a captação de sinais derivados da atividade cardíaca – “ECG[3] Biofeedback”; que também permite medições de freqüência, e variabilidade da freqüência dos pulsos cardíacos, e suas alterações conforme as exigências feitas ao organismo – Biofeedback de VFC.

Um equipamento de biofeedback associado à tecnologia da informática possibilita dispor os dados em formato gráfico num display, permitindo monitoramento em tempo real das alterações das respostas fisiológicas por quem quer que seja. Baseados nessa interação tecnológica, já são desenvolvidos softwares interativos que permitem, para além do monitoramento, treinamentos que interferem diretamente no funcionamento orgânico, propiciando que profissionais habilitados possam lidar tanto com os dados, quanto com as intervenções imediatamente, bem como viabiliza ao usuário a apropriação da informação imediatamente aumentando seu nível de consciência e apropriação sobre sua própria fisiologia, até então de caráter não responsivo e inconsciente.

Roberte Metring

[1] SCL: Skin Conductance Level. Também são encontradas as siglas “SCR” (skin conductance resistence) e “GSR” (Galvanic Skin Response).

[2] Eletrencefalografia: Estudo do registro gráfico das correntes elétricas que se originam no encéfalo, mediante eletrodos colocados no couro cabeludo, na superfície encefálica, ou dentro da substância encefálica, constituindo valioso método auxiliar de diagnóstico de numerosas doenças nervosas. Este método de captação de estímulos surgiu a partir das pesquisas de Hans Berger em 1929, com o registro de respostas elétricas cerebrais a estímulos sensoriais, visuais, auditivos e somestésicos (GIL, R., 2005).

[3]Eletrocardiografia: Estudo do registro gráfico das correntes elétricas originadas do músculo cardíaco e que constitui valioso auxiliar de diagnóstico de numerosas doenças cardíacas.

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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