(Matéria publicada no jornal O Fluminense em 25 de novembro de 2012)

Nos dias 3 e 4 de novembro, cerca de 6 milhões de estudantes de todo o país realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A prova é considerada por muitos um dos momentos mais importantes da vida. E quem se veste dessa sensação também são os familiares, o que acaba gerando conflitos e frustrações. Mesmo quando passa esse grande dia, muitas vezes a tensão continua e se o resultado não foi o esperado, a falta de compreensão pode tomar conta da relação entre pais e filhos.

A moradora de Icaraí, Raquel Roxo, pretende fazer medicina e tem grande apoio dos pais e da irmã. Raquel está tranquila com o resultado da prova, já que vem se preparando ao longo do Ensino Médio e, se não passar, entende que não foi o momento certo, já que também é descrente da avaliação da prova. A estudante do Colégio Pedro II também foge à regra ao ver o Enem apenas como uma consequência de um longo processo de desenvolvimento que não se restringe a horas seguidas com “a cara nos livros”.

“Nesse meu último ano no colégio me preocupei em me formar como cidadã. Participei de grêmios, reuniões políticas e até da Olimpíada Nacional de História. Muitos me criticaram, mas acredito que foi mais enriquecedor do que ficar aqui presa estudando, e meu conhecimento vai além da prova, é para a vida”, conta Raquel.

Para o psicólogo, psicopedagogo e autor do livro ‘Neuropsicologia e Aprendizagem’ (Wak Editora),  Roberte Metring, os familiares também devem objetivar algo maior que a simples verificação de um determinado conhecimento, já que muitas vezes o bom resultado só foi adquirido graças a outras questões.

“Tanto faz se é um vestibular, uma prova da OAB, um concurso público e tantos outros por aí. O importante é que a pessoa aprenda a estudar desde muito cedo, não para ganhar prêmios, mas para ser dono de um conhecimento, e da capacidade de articular o que sabe com a vida real. De nada adianta saber muito, se esse saber não resolve nada na vida prática”, afirma o psicólogo.

O pai de Raquel Roxo, Sebastião Bruno, também não vê esse momento como um bicho de sete cabeças. O economista passou por essa experiência ao realizar a prova no ano passado, e hoje cursa Educação Física na Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Eu não pressionei Raquel, mas buscamos algumas estratégias. Quando faltava muito para a prova, aceleramos o ritmo de estudo, depois desaceleramos e ficamos mais tranquilos. Digo para ela que não irá perder nada com o resultado do Enem, só ganhar”, conta Sebastião.

A mãe de Raquel, Maria do Rosário, também ajuda. Como mãe, se esforça contribuindo com a tranquilidade da casa, e, como professora de Letras, pratica ajudando a filha a interpretar melhor as questões.

“Para outras mães, estudar é só uma questão de passar. Esquecem de ver que é bem mais do que isso”, comenta.

Projeção pode ser prejudicial

De acordo com Roberte Metring, o nervosismo sentido pelos pais é decorrente da projeção que fazem nos filhos.

“Um jovem de 17 ou 18 anos fica à mercê das regras sociais vigentes. É necessário que os pais se importem com as necessidades dos seus filhos, e vice-versa. Se há um conflito dessa ordem, um serviço de apoio psicológico ou psicopedagógico sempre é de grande valia”, orienta o psicólogo.

Sobre a tensão no pós-prova, ele indica procurar tranquilizar as relações. Afinal, o papel da escola é formatar, estruturar e organizar os conhecimentos; o da família é transformar esse processo em algo prazeroso e útil.

“Pais e filhos devem voltar a ter uma vida normal. Os amores paterno e materno não podem nem devem estar vinculados a uma nota ou qualquer outra âncora. O jovem está vivo, e deve ser proporcionado um ambiente de boa convivência independente do que possa acontecer no resultado”, conclui o psicólogo.

FONTE: Jornal O FLUMINENSE.

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

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