Existe aquela lenda dos dois indiozinhos que queriam casar, mas queriam a formula para serem felizes. O sábio da tribo pede para que cada um traga uma ave de rapina até ele. Os indiozinhos o fizeram, então o sábio da tribo pediu que eles amarrassem as aves pelos pés. Assim foi feito. As aves ao tentarem voar começaram a se bicar e se machucar mutuamente. Então foi dito: querem ser felizes? Voem juntos, porém, separados.

Claro que essa é uma versão simplificada da lenda, mas que retrata muito bem a necessidade da preservação da individualidade de cada um numa relação, seja ela de amizade, profissional ou sentimental. Ninguém gosta de deixar de existir, embora muitas vezes nós mesmos procuremos essa via de acesso à felicidade, o que vai gerar, seguramente, insegurança e, creiam, infelicidade.

Desde que nascemos nossa busca é no sentido de entender quem somos, e gostamos de saber que somos alguém, inclusive que somos importante para alguém, que somos amados, desejados, etc.

Porém, em muitas situações, a relação começa muito bem, desejamos e somos desejados, amamos e somos amados, respeitamos e somos respeitados, e nos sentimos felizes. Mas… um tempo depois, as coisas começam a não ser mais tão assim, e não entendemos porque. A resposta não está muito longe de nossa vista: se nos entregamos ao outro (seja em que tipo de relação for), deixamos de ser exatamente aquele que o outro viu, aquele que o outro gostou, aquele em que o outro confiou, aquele que o outro admirou.

Se abandonarmos nossa individualidade, deixaremos de ser exatamente aquele que éramos. Nas relações, precisamos saber que nossa presença deve ser fonte de multiplicação e não de divisão. Não devemos abdicar de partes de nós, mas fazer de nós instrumentos para que o outro, ou os outros, sintam-se mais íntegros, inteiros, luminosos. Nossa presença deve ser no sentindo de que nossa luz (preste atenção) se una à outra luz e que dessa união se forme um grande facho luminoso, e não que nosso encontro seja suficiente para que as luzes diminuam.

O mesmo devemos pensar quando nossa presença rouba, ou quando somos roubados de nossa luz, ou seja, quando para o outro brilhar nossa luz tem que sumir ou quando para brilharmos temos que apagar a luz de alguém. As relações, de qualquer ordem, devem ser nomeadas pela capacidade do encontro gerar energia, não subtrair. Não divida nada de você, pois se fizer isso, deixará de amar-se, e deixará de ser interessante para qualquer pessoa, que venha a conhecer, ou que já conhecia. Se houver divisão ou diminuição, por favor, reveja a relação, talvez não lhe sirva como fonte de vida

Texto publicado na Revista Psicobela Digital, terceira edição Nov/2010.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
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