Você conhece alguém que vive num casamento de fachada para não causar sofrimento aos filhos, que não muda de profissão para não sacrificar a família, que não troca aquele emprego frustrante e desmotivante para não se indispor ou preocupar a esposa ou esposo? Conhece alguém que faz sacrifícios pelos filhos, pela família, pelos amigos?

Você conhece alguém que faz muitos sacrifícios para ver outras pessoas bem?

Pois bem, existem algumas coisas que precisam ser bem pensadas em termos de sacrifício.

Em primeiro lugar, a palavra sacrifício deriva do latim e significa o sacro oficio, ou seja a atitude de tornar sagrado, e não de causar sofrimento. E quem torna algo sagrado não sofre. Assim, devemos começar repensando o próprio significado da palavra sacrifício. Muitas são as pessoas que usam essa palavra para dizer o quanto foi ou é dolorida determinada coisa, o quanto causa sofrimento. Isso está associado mais a esforço que a sacrifício. As pessoas sofrem pelo esforço que fazem para obter algo que não traz os resultados que lhe agradam.

Se você quer fazer sacrifício, então precisa aprender a sorrir quando se envolve em algo que vai tornar sagrado. É por isso que os muito antigos habitantes desse planeta faziam sacrifícios em nome de seus deuses, para tornar sagrada alguma coisa, como uma colheita por exemplo.

Pois bem, como poucos pensam nisso, adotam e ficam com o termo sacrifício para determinar aquilo que lhe causa sofrimento ou esforço em demasia.

Quando as coisas são feitas com esse sentido e você faz sofrendo, exatamente por que está num impasse entre o que deseja, mas que para realizar precisa causar uma ruptura, um desconforto momentâneo, e aquilo que é bom para os outros que estão com você, então automaticamente sua mente registra isso como uma dívida que alguém tem com você, ou seja, alguém passa a lhe dever algo, pode ser um filho, uma família, um amigo, etc…

O problema é que isso é praticamente inconsciente, fruto de sua imaginação, e os devedores não sabem que estão devendo alguma coisa, coisa que você, para se livrar do próprio sofrimento, vai cobrar um dia. Conscientemente, se você causar o sofrimento, vai se sentir culpado, e para não sentir a culpa, é melhor deixar as coisas como estão, e continuar seu SACRIFICIO, viver a vidinha, como dizem, até que não suporte mais a carga.

Com esse sentimento interno quase sempre inconsciente de que os outros lhe devem algo, a pessoa acaba se ressentindo. Os anos vão passando, a frustração vai aumentando, as relações vão se deteriorando, a vida vai ficando chata e difícil, o stress aumenta, a depressão chega para a visitinha, e assim a vida se torna um fardo.

Como tudo isso está operando num plano inconsciente, é difícil que você perceba que a culpa é sua, assim, você passa a achar que a culpa do seu sofrimento é dos outros, por quem você tanto se sacrificou.

É muito provável que seu casamento de sacrifícios se torne um martírio, que os filhos por quem se sacrificou se tornem rebeldes por não agüentarem a carga de culpa que você joga neles, que seus amigos se afastem por não suportarem mais você reclamando da vida de sacrifícios, e assim por diante.

Muito provavelmente sua raiva vai aumentar e você vai tomar do seu próprio veneno, e assim vai adoecer, vai esclerosar, vai desenvolver um problema cardíaco, vai ter problemas estomacais, e talvez até mesmo consiga morrer, SOFRENDO.

E acredite, isso não vai ser deixado de ser dito no seu velório: ahhh, como foi uma boa pessoa, sempre se sacrificou por fulano e beltrano.

Fulano e beltrano também estarão no seu velório, e vão viver depois usufruindo os benefícios do seu sacrifício. Isso se não assumirem também eles a culpa pela sua morte, e estragarem suas vidas por serem os culpados pelo seu casamento fracassado, pelo seu desgosto profissional, por você não ter conseguido realizar suas coisas e viver seu prazer na vida.

Veja então o grande emaranhado emocional. Algo que teoricamente seria benéfico pelo menos para os filhos, parentes ou amigos, acaba sendo prejudicial. Ninguém sai ganhando. Todos ficam ainda mais infelizes nesse jogo.

O que aconteceria se essa pessoa seguisse sua vontade e se separasse, ou trocasse de emprego, ou de profissão, ou de cidade? Certamente haveria um sofrimento inicial dos envolvidos. Mas com o tempo isso seria amenizado. Seria uma experiência dolorosa, mas plenamente possível de se superar. No final das contas provocaria menos sofrimento para todos.

Se você é muito chegado ou chegada a fazer sacrifícios, cuidado. Vai pagar um preço caro, e pior, cobrar ainda mais caro dos outros por quem se sacrificou.

Se você é filho ou filha de alguém que faz ou fez muitos sacrifícios, cuidado, tem uma chance grande de também optar por esse tipo de vida.

E se você desejar fazer sacrifícios, então entenda de uma vez por todas que deve na verdade é fazer um sacro oficio, deve tornar sagrado aquilo em que está se envolvendo, deve fazer com alegria, com satisfação e com prazer.

Não sendo assim, no máximo o que podemos fazer é esforço. E então se esforce e gaste sua energia se envolvendo em coisas que lhe permita não criar dividas imaginárias para que outra pessoa pague, principalmente, seus filhos e entes queridos e amados. Gastando energia e se esforçando em coisas prazerosas para você, certamente que os que você ama poderão receber o melhor que você tem a dar, além de você manter um perfeito estado de saúde física e emocional. Todos ganharão.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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