Tudo certo. Palavras certas. Tudo dentro do contexto. Politicamente correto. Tecnicamente adequado. Tudo muito claro e objetivo. Sem margens às segundas intenções e interpretações. Nossa… cadê a graça? Aliás.. que coisa mais sem graça! Isso não é graça, é ciência, é metodologia, é academia, sei lá o que é, mas não é graça.

Pensando nisso, descobri que a graça está na loucura, no absurdo, na falta de contexto, na margem às interpretações dúbias, nas coisas esquisitas.

Qual a graça de uma piada? O erro, o engano, o engodo, a surpresa, o inédito, o surreal, enfim… o absurdo. Não sendo assim, não é piada. Onde está a graça da piada? Na loucura do contador, na incongruência que dele parte. Tem piada melhor que aquela contada por um sujeito com cara de gente séria, fazendo de conta que não entendeu nada? Aquele que literalmente está vivendo a cena ridícula, a situação caótica, o absurdo da coisa? Aquele que na sua seriedade tenta mostrar o absurdo da graça?

E a vida? Tudo correto. Tudo certo. Tudo no lugar. Sem erros. Sem sustos. Que graça tem? Quando é que rimos de algo ou de alguém? Quando está fora do contexto, quando é absurdo. E não é o conteúdo propriamente dito, mas o contexto absurdo. Quem nunca riu de alguém que caiu na sua frente numa hora inapropriada? E quem já riu quando o tombo foi combinado? Está sentindo a diferença da graça?

O Joãozinho, a Mariazinha, o papagaio, o matuto, o caipira, etc… Quanto mais loucura, melhor…. (deixarei de lado algumas figuras mitológicas da graça, como o português, a loira, o padre, etc. para não me complicar. Ahhh, não dá, que se dane, vou me complicar….).

Tem algo pior que ter que explicar a piada? Só remédio amargo e agulha em baixo da unha. Contar uma piada duas vezes para a pessoa entender? Nossa, isso é racionalização, e não tem graça na racionalização.

Qual a melhor comédia? A mais inocente, a mais simples, a mais louca. Comédia boa tem que dar um nó na sua cabeça. Se estiver muito explicita, explicadinha, não tem graça nenhuma. A graça está escondida. A graça é algo que as vezes nem sabemos explicar, e quando tentamos…. ninguém acha graça. Que engraçado né?

A graça só não pode ser burra. Tem que ser louca, mas não ser burra. Graça burra incomoda, produz sorrisos amarelos, não tira lágrimas dos olhos de ninguém, a não ser de raiva, e quando isso acontece, então achamos graça de quem não achou graça nenhuma. A graça estava onde não tinha graça.

A graça da vida está na loucura? Será que os “loucos” é que estão certos? E afinal de contas, o que será que é a loucura? Bem.. saber eu também não sei, até porque sou cientista, e pensar a loucura do meu ponto de vista “correto” é observar exatamente uma pessoa fora do contexto. Daí, dá vontade de rir…

Nossa… quanto tempo perdi na minha vida tentando ser certo, correto, contextualizado, e acho que … sem graça….

Bem vindos à loucura. Troquemos a adrenalina pela serotonina, pela dopamina … vamos rir das loucuras da vida…. fazer graça sem ser palhaço, para ter graça … preservar a saúde, na graça.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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