Ansiedade

Angustia e Ansiedade são termos que se  confundem, tanto no imaginário popular, como entre critérios elaborados pela ciência para avaliação e tratamento, em função dos sintomas se misturarem, pois o angustiado sente de alguma forma o medo do futuro, o medo da morte.

Mas, tanto uma coisa como outra, são absolutamente normais de ocorrerem na vida de qualquer ser humano, desde o nascimento até a morte, pois vivemos permanentemente sendo desafiados tanto por outras pessoas, como por situações, ideias, ideais, planos, aspirações  e lembranças, de forma que torna-se quase impossível não sentir ao longo de um mesmo dia sinais de angústia e/ou de ansiedade.

O próprio momento sócio-tecnológico induz a estes sentimentos, pressionados que somos diuturnamente pela compressão do tempo, pelas necessidades cada vez mais urgentes de sucesso e bem estar, pela velocidade no transito das informações nas redes sociais e meios televisivos, pelas comparações sociais entre pessoas e pela competição acirrada pelo bem estar, ou pelo menos pelo compartilhamento, muitas vezes, da falsa impressão que se tem disso tudo, etc.

As pessoas estão, ou perdendo o contato com o momento presente, ou deixando que o momento presente tenha se tornado uma grande pedra em suas costas. De qualquer forma, tanto a angústia como a ansiedade deixam de ser processos naturais quando fogem do controle, assim como qualquer outra coisa, acontecimento ou situação que fuja do controle.

O problema da ansiedade já não passa indelével no que diga respeito a saúde pública. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, o número estimado de pessoas com transtornos de ansiedade no planeta era de 264 milhões em 2015, com um aumento de 14,9% em relação a 2005. A prevalência na população é de 3,6%. É importante observar que muitas pessoas têm tanto depressão quanto transtornos de ansiedade. O Brasil é recordista mundial em prevalência de transtornos de ansiedade: 9,3% da população sofre com o problema. Ao todo, são mais de 18 milhões de brasileiros e brasileiras.

ANSIEDADE

Eu poderia utilizar neste momento uma descrição nosológica dos quadros de ansiedade, mas julgo mais produtivo abordá-la sob um outro ponto de vista mais filosófico e reflexivo.

O único momento que temos para viver de verdade é o agora. O antes é lembrança, o depois é projeto, plano, aspiração, desejo. Portanto, qualquer tentativa de viver que não seja no agora, está numa dimensão de vida muito diferente daquela que pode ser suportada adequadamente pelo nosso organismo.

Claro que temos lembranças, sem dúvida, e evidentemente que fazemos planos e projetos futuros. Mesmo assim, Não há a menor condição de viver realmente essas lembranças  e projetos, a não ser num plano mental. No mundo físico torna-se impossível.

Algumas pessoas, no entanto, insistem em se deslocar do tempo presente para viver, ou no passado, ou no futuro, e caem num vácuo de tempo e espaço, ou seja, passarão a viver num plano mental momentaneamente irrealizável, com um excessivo estado de atividade mental.

Aquele que se deslocar do presente em direção ao futuro, vai cair no vácuo, que vou carinhosamente chamar de ANSIEDADE, por isso, posso afirmar que a ansiedade é o excesso de futuro atrapalhando o presente da pessoa, ou, quem sabe seja mais correto, um excesso de expectativas mentais interferindo no plano orgânico e psicológico das ações do aqui-e-agora.

Em verdade, talvez possamos dizer que a ansiedade é o medo em relação ao futuro (que pode ser um futuro de daqui 10 minutos), medo de que algo se realize, ou medo de que algo não se realize.

Por exemplo, ao tomar um empréstimo bancário, sabendo que terá dificuldade em obter os recursos necessários para saldar sua dívida, passa a viver um estado ansioso decorrente do medo do dia em que o banco procederá a uma execução judicial para cobrança. Este medo poderá invadir de tal forma o espaço mental da pessoa, que torna-se um empecilho para que viva e resolva seus problemas do momento presente.

De outro lado, a pessoa pode marcar um encontro com outra, seu objeto de desejo, para daqui uns dias, e passar a viver no vácuo daquele encontro que não está se realizando neste momento, ou seja, passará a viver na ansiedade decorrente da expectativa criada, ou do medo de que o encontro possa não acontecer.

SINAIS CARACTERÍSTICOS DA ANSIEDADE

Inquietação psicomotora, respiração ofegante, percepção do coração batendo forte no peito e parecendo que vai sair pela boca, as mãos parecem que não param, as pernas vivem chacoalhando, os dedos estão sempre batucando alguma coisa, suor nas mãos, unhas roídas, sono irrequieto, sensação de que não descansa ao dormir, roer pontas de lápis e canetas, falhas de atenção, constipação intestinal, excessivo planejamento para o futuro (passando a viver nesse futuro), são alguns dos sinais característicos que  costumeiramente acompanham a pessoa ansiosa.

De qualquer forma, podemos perceber que os dois fatores principais envolvidos nos quadros ansiosos são, a) o deslocamento para o futuro e b) o medo, experimentados diante de algumas situações comuns, como por exemplo, falar em público, expectativa para datas importantes, entrevistas de emprego, vésperas de provas, exames de saúde, entre outras.

Algumas pessoas, vivenciam esta reação de forma mais frequente e intensa, que pode ser considerada patológica e comprometedora  da saúde emocional, e mesmo física.

Sob o ponto de vista clínico,  essas pessoas passam a ser tratadas como portadoras de distúrbios. Alguns tipos de distúrbio de ansiedade comuns são o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), a Síndrome do Pânico, a Fobia Social e as Fobias Específicas (claustrofobia, aracnofobia, agorafobia, etc). Quando a ansiedade chega nos níveis se ser enquadrada como um desses distúrbios, a ação terapêutica deve ser imediata, e com grandes possibilidades de necessitar de intervenção medicamentosa.

Alguns autores dão-nos sinais indicativos de que a pessoa está sofrendo em grau mais elevado do que era de se esperar, de ansiedade, necessitando cuidados, quando apresentam alguns sinais comuns, que merecem atenção:

  • Superestimar e ver o perigo em tudo.
  • Começar a comer mais do que o normal, ou começar a ingerir alimentação inadequada de forma costumeira (assaltar a geladeira).
  • Alterações no sono, passando a dormir menos que o normal, ou tendo muita dificuldade para pegar no sono.
  • Sentir tensão muscular, principalmente no pescoço, ombros e nuca, sem motivo aparente.
  • Excessiva preocupação com acontecimentos futuros.
  • Receio ou medo de falar em público, de estar em lugares fechados, ou de encontrar-se em situação que não controla.
  • Se deixar levar por medos irracionais e sem motivos.
  • Inquietação psicomotora constante.
  • Sentir que está à beira de um ataque e nervos, com pouca paciência para qualquer coisa.
  • Problemas digestivos.

COMO LIDAR COM ANSIEDADE?

Se tomarmos por base o que foi dito acima, não fica difícil de perceber que, na maioria dos casos, pessoas ansiosas precisam aprender a voltar para o presente, a reassumir seu corpo e posicionar-se no tempo e no espaço. Este é um aprendizado relativamente fácil quando a pessoa percebe que está entrando num quadro ansioso em estágio ainda inicial. Existem técnicas psicoterapêuticas bastante assertivas para produzir este resultado, que em alguns casos, parece mágica. Mas não é.

Porém, quando a pessoa não consegue mais voltar ao presente, ou seja, quando entrar nos estados disfuncionais que geram a ansiedade, então os tratamentos precisam ser mais contundentes, com avaliações bastante mais profundas, e técnicas mais robustas, podendo inclusive necessitar de ajuda farmacológica, avaliação e intervenção médica.

E QUANDO O PRESENTE É EXCESSIVO?

Quando o presente está massacrando a pessoa, então desenvolve-se um quadro de estresse, o que permite a seguinte analogia: ansiedade é excesso e futuro, angústia é excesso de passado, e estresse é excesso de presente.

Se você se encontrou neste texto, é hora de buscar ajuda de um profissional que possa orienta-lo(a) a respeito dos tratamentos necessários.

Saúde e paz
Roberte Metring

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