Angústia

Como foi dito no post sobre ansiedade,  os dois termos, ansiedade e angústia, são em muitos ambientes científicos tratados como se fossem uma coisa só, em função dos sintomas se misturarem, pois o angustiado sente de alguma forma o medo do futuro, o medo da morte.  No entanto, me permitirei, para fins pedagógicos, continuar tratamento da explicação num outro plano, como fiz quando tratei da ansiedade.

Da mesma forma que a ansiedade é um salto no futuro, com a consequente queda no vácuo, já que futuro não existe ainda,  ANGUSTIA seria o mesmo movimento, só que em  direção ao passado.

Da mesma maneira, este salto produz a queda no vácuo, já que o passado não é mais acessível, a não ser na lembrança, como olhar para um álbum de fotografias. Não importa o que se faça neste álbum, o passado não vai mudar magicamente, como no século passado foi sugerido pela trilogia DE VOLTA PARA O FUTURO. Seria ótimo se fosse possível, e eu mesmo seria o primeiro a tomar providências.

A angústia é uma condição emocional, bem como uma sensação física. É uma experiência complexa que afeta pensamento, humor e comportamento e pode levar ao isolamento, imobilidade e dependência de drogas.

Caracteriza-se por uma sensação psicológica de sufocamento, uma espécie de estrangulamento, peito apertado e, normalmente, algum ressentimento com coisas do passado (pessoas, fatos e acontecimentos).

Em decorrência de o angustiado sentir, geralmente, medo de morrer por conta dos sintomas que se parecem com um infarto, é comum também a associação ao quadro de ansiedade, o que pode confundir o diagnóstico. Na prática diária, podemos diferenciar a ansiedade da angustiada seguinte forma: na primeira há inquietação e exacerbação mental, e na segunda, um aperto no peito, que, como vimos, pode se confundir com a sensação de problemas cardíacos, o que leva muitos angustiados aos consultórios dos cardiologistas.

COMO LIDAR COM ANGUSTIA?

Se tomarmos por base o que foi dito acima, não fica difícil de perceber que, na maioria dos casos, pessoas angustiadas precisam aprender a voltar para o presente, a reassumir seu corpo e posicionar-se no tempo e no espaço, da mesma forma como foi sugerido para os casos de ansiedade.

Existem técnicas psicoterapêuticas bastante assertivas para produzir este resultado, que em alguns casos, parece mágica. Mas não é.

Porém, quando a pessoa não consegue mais voltar ao presente de forma voluntária, ou seja, quando entrar nos estados disfuncionais que geram a angústia, então os tratamentos precisam ser mais contundentes, com avaliações bastante mais profundas, e técnicas mais robustas. E pode inclusive necessitar de ajuda farmacológica, necessitando então de avaliação e intervenção médica.

De forma geral, as pessoas aprisionadas às suas angústias, acabam tendo mais dificuldades em se libertar do que as aprisionadas às suas ansiedades, pois os processos mentais da ansiedade de alguma forma cedem mais facilmente a uma análise racional da situação não realizada, e os processos ligados à angustia tem raízes presas em situações que já foram reais, portanto, mais dificuldades apresentam pois os sintomas da angústia podem muito bem serem similares a muitos dos sintomas depressivos, e não raro, os dois quadros podem associar-se em detrimento da vida da pessoa.

Em se tratando de quadros graves, será necessária intervenção medicamentosa pois pode ocorrer que a incapacitação e a dores associadas ao quadro sejam incapacitantes para a pessoa, em todos os sentidos, inclusive com falta de energia para reagir aos estímulos psicoterapêuticos.

Para a psiquiatria, a angústia pode ser um sintoma de depressão. Porém, nem todas as pessoas com angústias periódicas devem ser tidas por depressivas. Este sentimento também pode significar uma manifestação de ansiedade, por exemplo.

CAUSAS DA ANGUSTIA

A angústia pode estar ligada a causas psicológicas como complexos e traumas de ambientes familiares repressores ou desgastantes, ou alterações químicas hormonais, e ainda uso de drogas licitas ou ilícitas depressoras do sistema nervoso, entre outros fatores multicausais.

De qualquer forma, a angústia somente será considerada uma doença quando surgirem outros sintomas associados, como falta de concentração, tristeza permanente, inquietação, pensamentos negativos, falta de motivação, interferência na produtividade laboral, na dificuldade para obter prazer (pelo sexo, pela vida, pelas coisas e pessoas) e etc.

Se você se encontrou deste deste texto, procura um profissional tecnicamente preparado para avaliar sua situação e nortear o melhor tratamento.

Saúde e paz.
Roberte Metring