Um homem que ia caminhando pela rua notou uma mulher que se arrastava lentamente pela grama, debaixo de um poste de luz. Intrigado com o que essa mulher fazia, aproximou-se com a intenção de ajudá-la e perguntou:
– “Senhora, o que aconteceu? Precisa de ajuda?”
– “Sim, obrigada”, replicou ela. “Estou procurando as chaves de minha casa.”
Ele, muito atento e solícito, abaixou-se e começou a ajudá-la a procurar as chaves. Passou-se um longo tempo e não a encontraram. O home perguntou a mulher:
– “Tem certeza de que suas chaves caíram aqui? Não faz idéia de onde as deixou?”
A mulher respondeu:
– “Na verdade minhas chaves caríram na rua da frente.”
Surpreso, o homem perguntou:
– “Pode-se saber, então, por que as está procurando aqui, em vez de estar procurando ali?”
E a mulher respondeu:
“Estou procurando aqui porque há mais lúz, conheço melhor este lugar, e, além d0 mais, é muito mais confortável.”
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Esta historieta bem retrata o comportamento de muitas pessoas, algumas das quais eu conheço, e provável que, com um pouquinho de reflexão, sua memória também resgate algumas de sua relação. São pessoas que insistem em sempre fazer as mesmas coisas, da mesma maneira, não se dignam a mudar o comportamento por puro comodismo, por estar numa zona de conforto.

Reclamam de tudo, reclamam do resultado das coisas, reclamam da vida que não lhes oferece oportunidade, enfim… Todos são culpados porque seus resultados são sempre insatisfatórios. Porém, como pode obter resultados diferentes, se para problemas diferentes oferece as mesmas respostas? Como pensar em achar algo que está em outro lugar, se insistirmos em ficar sempre procurando no mesmo lugar, com a mesma pessoa, na mesma empresa, na mesma loja?

A vida é dinâmica, todo os dias, em todos os momentos, as coisas mudam, e precisamos mudar também o local de busca, de procura. Precisamos treinar nosso cérebro para fazer novos aprendizados, novas comparações, novos processos adaptativos.

Freud já afirmava, há quase 200 anos que por uma questão de economia da energia psíquica, acabamos tendendo à repetição das coisas, e no decorrer do processo podemos acabar não conseguindo mais discernir entre o que está servindo e produzindo prazer, ou não. A neurociência, de alguma forma, corrobora esse pensamento freudiano, pois nosso cérebro gasta muita energia, mas acreditem, se ele puder economizar processando informações antigas para evitar a formação de novo circuito neuronal, de novas sinapses, pois que gastam mais energia para se realizarem, ele optará por isso.

Vejam essa imagem: poucas pessoas percebem que na verdade a imagem não representa literalmente a Coca-Cola, mas sim Coca-Coca. O que ocorre? A Psicologia da Gestalt, estudando as anomalias dos processos perceptivos, elaborarou o conceito que ficou conhecido com Lei da Pregnância. Através dessa lei, sabe-se hoje que, nosso cérebro, tem uma tendência a utilizar arquivos antigos para interpretar fenômenos e acontecimentos. Fazendo isso, poupa energia e trabalho, já que, por acomodação, tende a simplesmente carregar imagens comparativas, não se dando ao trabalho nem mesmo de carregar a nova imagem por inteiro. Pega as partes pelo todo, e usa o todo já armazenado anteriormente como uma resposta apropriada, mesmo quando não o é.

Se nosso cérebro faz isso com os estímulos que chegam à ele, porque não poderíamos pensar que nosso aparelho psiquico possa evitar de comandar novos comportamentos se julgar que os velhos dão conta. O problema é que, assim como pudemos perceber o equívoco sensorial, também podem ocorrer equívocos de avaliação sentimental, e mesmo respostas emocionais.

Assim, precisamos começar a traçar novas metas, tornar nosso cérebro e comportamento mais resilientes, trabalhar em novos projetos diariamente, promover novas experiências que alimentam necessidades novas nesse cérebro velho. Assim sendo, podemos começar a visualizar novas modalidades de resposta, e podemos nos encontrar com fenômenos novos, que na verdade sempre estiveram por perto, mas que ignorávamos julgando que nosso modo velho e arcaido de agir eram os mais adequados e acertados.

Comece experimentando exercitar o cérebro com coisas corriqueiras mas que você nunca praticou: escove os dentes com a mão trocada sempre que possa; penteie ou escove os cabelos igualmente com a mão trocada; assista televisão sem som; coloque som e não olhe para imagem; comece a perceber por que parte do corpo começa a tomar banho; saia da cama pelo lado contrário do habitual; comece a observar mais atentamente as coisas pelas quais passa sua visão; coma coma mão trocada; enfim… comece a oferecer ao seu cérebro a oportunidade de uma vida nova e diferente todo dia, e verá que deixará de procurar as chaves no lugar errado, pois novos lugares poderão surgir, novas oportunidades, novas experiências.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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