Neste último final de semana tive a oportunidade de conversar saudosamente com um amigo, Jackson. Falávamos de nossas dificuldades na docência, e em como dia-a-dia a missão do professor está cada vêz mais dificultada no Brasil, por múltiplos fatores, que vão da péssima forma como o ensino é pensado e administrado, por interesses vários e escusos, passando pelo desinteresse de muitos alunos em relação à aprendizagem.

Por acaso (não acredito em acaso, mas ….) abro minha caixa de emails,  leio uma mensagem, recebida de outra amiga de labuta (Dra. Zita), que fala em como Cristo teria problemas no sermão da montanha, se fosse nos dias de hoje. Sem medo de profanar a memória do meu maior ídolo, e daquele que considero um dos maiores mestres, e mentor para a humanidade, reproduzo a metáfora desejando que estudantes e docentes reflitam à respeito, e tirem suas conclusões. Esse texto está disponível em vários sites, não é criação minha.

Como hoje é o dia do Professor, quero aproveitar e, junto com a reflexão, deixar meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, consciente ou inconscientemente, colaboraram para que eu pudesse seguir minha vida de aprendizados. E desejar que o Criador abençõe a todas as pessoas envolvidas com a meritória atividade de produzir o ensino e a aprrendizagem.

O Sermão da montanha (*versão para educadores do século XXI no Brasil*)

E naquele tempo (anos 2000 e tantos d.C), Jesus subiu a um monte, num famoso distrito brasileiro,  seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra em praça pública, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.

Tomando a palavra, disse-lhes:
– Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles…? (aguardando que alguém completasse a frase)

Pedro o interrompeu:
– Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
– É pra copiar?

Filipe lamentou-se:
– Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
– Vai cair na prova?

João levantou a mão:
– Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
– O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
– Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
– Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
– Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
– Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
– Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
– Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
– Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
– Onde está o seu plano de curso, plano de ensino e a avaliação diagnóstica?
– Quais são os objetivos gerais e específicos a serem atigidos?
– Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
– Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas?
– E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
– Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
– Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto de ensino. E vê lá se não vai reprovar alguém!

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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