Em entrevista ao Correio Braziliense, o médico e professor Dioclécio Campos Júnior (dicampos@terra.com.br) fala sobre suas preocupações em relação a desumanização e automação da medicina: “O preparo das novas gerações de médicos passou a ingressar num atalho sem saída. Rompeu os alicerces da formação em benefício da informação. Desmereceu o saber científico integral em favor do procedimento técnico especializado”.

Continua a afirmar que a Medicina é a profissão cuja sobrevivência está mais ameaçada pelo rolo compressor da tecnologia: “Desfigura-se a olhos vistos. Perde substância. Deixa-se impregnar pela onda de automação avassaladora. Não resiste ao fascínio da era digital. Virtualiza-se. Sucumbe ao esquartejamento científico. Fragmenta-se. Esvazia-se na essência. Desintegra-se na prática”.

Em relação às questão da desumanização do atendimento médico afirma: “o exercício da medicina verdadeira é indissociável de uma relação humana benfazeja entre o profissional e o paciente. Sem ela não há lugar para a recuperação plena da saúde. Tudo o mais é complementar. Não bastam equipamentos complexos, remédios miraculosos ou cirurgias fantásticas. Muito mais do que isso, importa lidar bem com um ente fragilizado pela doença. Interagir com uma pessoa, alguém que não é apenas um amontoado de órgãos e vísceras. Um ser que sofre mais por dentro que por fora, sente a morbidez por inteiro, não em pedaços, pensa deprimido, raciocina em condições adversas”.

Mais adiante, em seu artigo, Dr. Dioclécio fala da natureza relacional da profissão, e da etimologia da palavra atendimento, com o que justifica seu pensamento: “O atendimento médico está em rota de extinção nos tempos modernos. Abandonou, por completo, a natureza relacional que o distinguia. Tomou o rumo da mecanização em detrimento da sabedoria humanista que lhe dava consistência. Distanciou-se do fundamento conceitual de origem. Com efeito, atendimento é o ato de atender, verbo oriundo de attendere, do latim, que significa acolher, receber com atenção ou cortesia, segundo o Aurélio. Já não se atende assim em medicina. A lógica da linha de montagem impôs-se progressivamente, apequenando a arte de curar. Mudou conteúdos, desrespeitou originalidades, uniformizou padrões.”

O artigo completo pode ser lido pelos interessados diretamente no site do Jornal de Ciência, ou no Jornal Correio Braziliense número 295 do dia 21/07/2010.

(Dr. Dioclécio Campos Júnior é médico, professor titular de pediatria da Universidade de Brasília (UnB) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Artigo publicado no “Correio Braziliense” do dia 22/07/2010 e reproduzida no Jornal da Ciência).

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