[…] instalou-se o medo do outro, ao que tínhamos a nosso lado, a quem se aproxima demais. Bocas fechadas que se escondem atrás de um cachecol, que inibem bocejos sob a forma de uma careta, olhares desconfiados e cheios de medo são agora a fotografia do espaço urbano. Nos transportes públicos, os movimentos são mínimos e milimetricamente calculados, os olhares se cruzam em um alerta incansável para não se encontrar perto do outro. Aquele que espia torcendo o nariz para espirrar, tirar um lenço ou pigarrear para limpar a voz provoca uma confluência de olhares reprobatórios que se avalizam mutuamente, assim a culpa inibe a ação, chama para a autocontenção, os olhares censuram atos, outrora cotidianos, tornando evidente a discriminação social que muitos sofrem diariamente por outras circunstâncias.

Este é um pequeno trecho de um artigo bem escrito que encontrei na net ao vasculhar o tema GRIPE A, H1N1, etc… Na verdade, acabei navegando pela rede e encontrei o blog do Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, que me remeteu ao blog de notícias do Institito Humanitas Unisinos, este último trazendo um artigo escrito por Hugo Spinelli, Marcio Alazraqui e Anahí Sy, professores de pós-graduação em Epidemiologia, Gestão e Políticas de Saúde da Universidade Nacional de Lanús, na Argentina, publicado num jornal argentino em 11-07-2009, tratando do assunto, sob o título Gripe A: Paranóia, Conspiração ou Pandemia? Esses tres professores analizaram o tema sob três dimensões:

  • Dimensão econômica
  • Dimensão epidemiológica
  • Dimensão social

Se propuseram, ainda, a descrever a evolução da Gripe A em sete etapas (que não têm uma linearidade mecânica, mas que se sobrepõem e coexistem):

  • A primeira etapa vinculada com a origem da gripe suína (porque mudou o nome de Gripe Suína para para Gripe A?).
  • A segunda etapa associada à instalação de uma catástrofe (a pandemia se instalou. Os meios de comunicação começaram a reproduzir as mesmas notícias e os mesmos conteúdos.).
  • A terceira etapa marcada pela desinformação (As consultas se geravam, em parte, pelo pânico e pela desinformação, nos quais os meios de comunicação também faziam seu jogo).
  • A quarta etapa (que se superpõe à anterior) trouxe o autocuidado e a referência aos estilos de vida (universalização da máscara, o uso do álcool e até apareceram os lenços).
  • A quinta etapa marcada pela automedicação (potencializa-se no imaginário social que o medicamente cura e não que é um inibidor da reprodução viral).
  • A sexta etapa marcada pelo tempo livre como consequência do isolamento social (por exemplo: o que fazer com as crianças em casa?).
  • A sétima etapa associada ao fim da pandemia (saída da questão da agenda da mídia).

As considerações dos autores não são somente relevantes, como sérias e bem articuladas, permitindo um amplo espectro de reflexões sobre conspiração, realidade, economia, saúde publica, modifações sociais e comportamentais, e devem interessar a qualquer pessoa que trate com seriedade, moral, ética e comprometimento o assunto saúde pública.

Julián Alerini através do documentário OPERAÇÃO PANDEMIA, tenta responder à pergunta: O que se esconde por trás da gripe suína? A leitura do artigo e a atenção ao vídeo citado (links abaixo), que sugiro sejam feitos em sequência, podem ajudar nas reflexões adequadas para a lida com o momento caótico instalado em nível planetário.

Será mesmo necessário esse clima de terror?

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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