Os termos drama e emoção conseguem sempre angariar a simpatia de nossa capacidade imaginativa e fantasmática.

Ao longo de meus trabalhos como docente em disciplinas voltadas à prática da Psicologia, em particular no campo da psicoterapia, verifiquei como os acadêmicos ficam perturbados frente a esses dois termos, seja do ponto de vista da teoria, como da sua construção imaginativa e da prática.

Basta dizer aos alunos: vamos dramatizar, que a coisa toda fica enrolada. Quando peço para que usem emoção então tudo piora, porque imediatamente eu deixo de ser Psicólogo para virar um diretor de teatro.

Então vamos clarear as coisas.

DRAMA

A palavra drama origina-se do grego antigo e significa ação, simplesmente isso. Dramatizar alguma coisa é colocar essa coisa, seja o que for, em ação. Claro que tem muito a ver com interpretar, pois dramatizando estamos colocando energia,  estamos movimentando aquela coisa, fazendo-a sair do lugar onde está, se deslocar, na maioria das vezes para ser vista ou observada.

Em psicoterapia o termo drama vem acompanhando alguns trabalhos idealizados por Moreno, que ficou conhecido por criar o Psicodrama, que na verdade quer dizer, colocar o psiquismo em ação num formato que possa ser observado. Claro, existe um conjunto de normas e técnicas desenvolvidos nesse sentido, que para quem deseja praticar o Psicodrama, devem ser estudados. Moreno descobriu que colocando pessoas para “dramatizar” acontecimentos e situações, conseguia alcançar um lugar do psiquismo que não seria alcançado de outra forma.

Então, quando você for convidado(a), terapeuticamente, a dramatizar uma situação, não significa que está sendo pedido para você chorar, se descabelar, se jogar no chão e bater a cabeça na parece num perfeito papel histérico. Significa simplesmente que o terapeuta está pedindo para você se colocar em ação, e mostrar algo que está pouco claro.

EMOÇÃO

Termo derivado do latim emovere, que significa por em movimento. Quando estamos falando de emoções, a principio, todos já começam a lembrar de situações fortemente marcadas, como uma tristeza ou alegria, o choro ou o riso. Porém, emoção é muito mais que isso, é aquilo que te faz mover-se, é aquilo que lhe faz ter a existência, é aquilo que te faz sentir-se vivo, seja pela alegria, ou pela tristeza. É um fenômeno natural, e todo ser vivo se emociona. Algumas pessoas reprimem suas emoções, mas não significa que elas não existam, pois para deixar de existir, somente num corpo morto.

As pessoas que reprimem suas emoções o fazem pensando que assim estão controlando as emoções, mas não é verdade. O controle é estar consciente das emoções e as deixar existirem na exata medida dos fatores que as desencadeiam, utilizando outros componentes, como os mentais, para que a expressão seja adequada, em qualidade e quantidade. Aqueles que as reprimem, estão na verdade acumulando uma grande quantidade de energia (propulsora de toda emoção) em algum lugar do corpo, e não raramente vão sofrer as consequências disso em termos de adoecimento, na maioria das vezes, adoecimento físico, já que a emoção é um componente físico, uma energia que sai do campo mental para promover algum movimento no corpo.

DRAMA e EMOÇÃO

Fácil perceber que drama e emoção estão intimamente associados, embora não sejam exatamente a mesma coisa. O drama é a capacidade de colocar em ação alguma coisa, e emoção é a energia como aquela coisa será colocada em ação.

Noutro post me comprometo a elucidar mais sobre o assunto, mas por enquanto espero que, pelo menos alunos de Psicologia, tenham aproveitado as explicações para melhor explorar o assunto.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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