Na ultima quinta feira assisti a um programa da Globo sobre o Cazuza, e num dado momento me surgiu uma reflexão intrigante e inquietante: se nós dois tivéssemos morrido à mesma época, qual dos dois teria melhores chances de ascender ao céu?

Porque dessa pergunta? Bem… vamos lá. Eu nunca fui simpático desse rapaz, do seu modo de viver a vida, e dos desatinos e irresponsabilidades que possa ter cometido ou induzido a outros cometerem. Sou sincero em dizer que nem mesmo me agradei da maioria das suas músicas. Na verdade, sua vida me pareceu sempre a vida de um rapaz carente e mimado, com poucas noções de limite, embora limite, nesse caso, seja mais uma questão de compromisso social, do que de certo ou errado, levando-se em consideração que certo e errado são coisas bastante relativas.
Daí surge o problema de minha reflexão: levando-se em consideração esses critérios, eu teria o céu garantido! Mas isso pode ser um engano meu…
Observando seu modo avesso de viver, me ocorreu que na verdade, embora avesso, era um modo autêntico de viver sua vidinha mimada e carente, cuja situação econômica lhe permitia todos os desatinos que desejasse. Talvez o que fizesse muita gente simpatizar com ele nem fosse ele mesmo, mas sua forma de viver, que podemos considerar autêntica e genuína, mesmo que irresponsável e anarquista. Não tenho nem quero julgar, mas me parece que ele poderia ter vivido mais e aproveitado melhor sua vida, seu sucesso e sua carreira, particularmente na divulgação de mensagens de otimismo, confiança e segurança, se assim quisesse.
De certa forma, analisando um pouco a vida dos ícones desse planeta, pelo bem ou pelo mal, se tornaram ícones devido à genuinidade com que se colocavam na vida.
Não podemos comparar os benefícios ou malefícios entre dois seres tão dispares como, por exemplo, Jesus e Hitler. Mas não podemos negar que, nas suas intenções e idéias, foram genuínos, autênticos e altamente convincentes. Os resultados disso é que seguramente devem ter feito diferença na hora da balança final, mais do que seus atos propriamente ditos. Mas existe uma mensagem bíblica que diz claramente “seja quente ou seja frio, mas não seja morno que eu te vomito”.
Voltemos ao Cazuza. Cheguei a conclusão assustadora que, entre eu e Cazuza, provável que, mesmo e tendo levado uma vida muito mais “santa”, ele pudesse ganhar bilhete para o céu antes de mim. Não porque eu não pense ou não queira o bem, mas simplesmente porque ele viveu genuinamente sua vida, com entusiasmo e paixão, muito mais que eu mesmo, e não tenho certeza de ter obtido resultados melhores que os dele.

E para encerrar, me aproveito da fala do publicitário Nizan Guanaes proferida num discurso de formatura da FAAP:

É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história
Deixo aqui aberta mais uma reflexão, e desejo que seja feita com prudência e responsabilidade, mas não ao peso de grilhões, nem utilizando isso tudo para justificar seus próprios desatinos.

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
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Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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