Participava da cerimônia de formatura de um grande amigo. Ao parabenizá-lo pela vitória da etapa acadêmica vencida ele me disse:

– “Vamos ver o que vai ser agora!”.

Não podia perdoá-lo pela insinuante e inconsciente acomodação desvelada em suas palavras; muito menos perderia a chance de coibir uma ação íntima de aquietamento e respondi instantaneamente:

-“Que história é esta? Vai passar a bola para o acaso? Nada disto! Pode começar a planejar a sua carreira e determinar o que vai ser ao invés de soltar os remos”.

O amigo respondeu:

-“Será que não pode deixar de ser psicanalista pelo menos na minha formatura?”

E eu disse:

-“Nunca quando alguém de minha estima representa um perigo para si mesmo”.

A conversa cessou por ali, mas minha preocupação continuava. O fato é que assim como meu amigo, eu também já perdi muito tempo de minha vida deixando a vida me levar. Soltar os remos e ver para onde a maré leva o barco é algo muito estúpido e bastante arriscado. É preciso ter a intenção de fazer e realizar o que se pretende, ao invés de transferir para o acaso a sua própria sorte.

Afirmações do tipo: “Vamos ver o que vai dar”; “Deixa a vida me levar”; “Quem sabe um dia…”; “Eu gostaria fazer isso”; “Quem me dera eu pudesse”; “Se eu isso…”; “Se eu aquilo…” são afirmações isentas de intencionalidade. Elas denotam que a pessoa está entregue e dependente de forças aleatórias e causais para que algo se concretize.

Até o famoso “Se Deus quiser…” não pode ser isolado e aleatório, como se alguém estivesse a transferir para Deus, única e exclusiva responsabilidade sobre as coisas que a pessoa deseja realizar ou conquistar para si. O Homem faz planos e a resposta vem de Deus, mas se o homem não faz planos, dificilmente uma resposta virá. A falta de planos é a falta de fé, e a falta de fé é a drástica isenção da intencionalidade.

Viver de propósito e com propósito é a argamassa do quinto pilar da autoestima. É preciso que cada pessoa estabeleça metas (curto prazo) e objetivos (médio e longo prazos) para qualquer coisa que pretenda realizar/conquistar na vida, seja lá em que área for.

Não são poucas as pessoas que vivem sem a importante atitude da intencionalidade. Geralmente são aquelas pessoas que respondem a um convite com o seguinte chavão: “Eu não tenho tempo!” Ou estão entregues ao acaso e por isto não têm disciplina sobre o próprio tempo ou estão mentindo quando na verdade poderiam simplesmente dizer “obrigado pelo convite, mas não quero ir” ou “Tenho outro compromisso nesta data” ou coisas assim.

Quem afirma não ter tempo é por que não tem disciplina sobre os próprios eventos de sua vida diária. Não se organiza e vive em função das coisas urgentes ou emergenciais. Por isto se descontrola e se angustia. Muitas vezes gasta mais do que pode; fala mais do que deve e age por impulso e está sempre dizendo algo do tipo “deixa como está para ver como é que fica”.Para o Dr. Nathaniel Branden, viver intencionalmente envolve as seguintes questões:

a) Assumir a responsabilidade de formular conscientemente seus próprios objetivos e propósitos; b) Preocupar-se em identificar os atos necessários para alcançar os objetivos estabelecidos; c) Monitorar o comportamento para que ele esteja em sintonia com os objetivos estabelecidos; d) Prestar atenção aos próprios atos para certificar-se que eles levarão você ao ponto aonde quer chegar.

Em outras palavras leitor(a), viver intencionalmente é determinar o tipo de comportamento que quer ter para com as diferentes pessoas, em diversas ocasiões e ambientes. Você pode ser grosseiro(a) ou gentil por impulso ou de propósito. Você pode ser o que você quiser ser.

Viver intencionalmente é determinar o que se deseja alcançar na vida e traçar um plano. Em seguida, estabelecer objetivos e metas para se chegar à realização desejada, tendo sabedoria para ajustar os planos e as atitudes enquanto caminha rumo a seus propósitos.

Preste atenção nestas frases antigas, de autorias diversas:

  1. Quem não sabe para onde quer ir, qualquer lugar serve.
  2. Se você não fizer alguma coisa, nada vai mudar.
  3. Se você continua fazendo as mesmas coisas, continuará tendo os mesmos resultados.
  4. Sua vida muda quando você muda!
  5. A bússola aponta o Norte, mas você precisa fazer algo para chegar lá.

E se você é religioso(a) saiba que Deus não move um dedo naquilo que você pode fazer. Deus só age quando as coisas estão verdadeiramente fora de seu alcance e controle.

Portanto, não se preocupe com as coisas que você não pode fazer nada, mas tome uma atitude positiva em relação às coisas que você tem algum controle e pode fazer algo, ao invés de apenas soltar os remos e dizer “vamos ver o que vai dar…”.

Viva com dolo e não com culpa! Culpa é para quem fez algo que não queria ter feito. Dolo é para quem tinha a intenção de fazer. Viver com dolo é viver com a intenção de existir e desfrutar a vida de forma produtiva e responsável.

Decida intimamente, realize suas coisas com a intenção de realizá-las do fundo de seu coração, pois viver, trabalhar, estudar, namorar, escrever, falar e muitas coisas mais que fazemos no dia a dia só terá graça e plenitude quando temos a intenção de fazê-las e isto é viver com a atitude da intencionalidade: O quinto pilar da autoestima!

Encerro este texto com mais esta reflexão: “A raiz da nossa autoestima não são nossas realizações, mas as atitudes geradas interiormente que, entre outras coisas, nos possibilitam realizar algo” (Dr. Nathaniel Branden).

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Conforme minha proposta, apresentei o quinto pilar da auto-estima.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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