À parte dos processos legais, que já dão rigor ao procedimento de adotar, quero falar sobre os motivos de uma adoção.

 O MEDO DE ADOTAR

É comum casais temerem a adoção porque não sabem de onde vem a criança, suas características genéticas e o tipo de comportamento que terão no futuro, se darão trabalho ou se serão crianças amorosas, sem contar os possíveis problemas de saúde decorrentes da incerteza quanto à genética envolvida na maternidade e paternidade da criança.

 O QUE SE PERGUNTAR?

Bem, vamos ficar aqui com a questão afetiva-comportamental, e deixar as questões de saúde física para um outro momento.

Pessoas que desejam adotar devem se perguntar antes de tudo: porque eu quero adotar uma criança? Não se trata de querer adotar uma menina ou um menino, branquinha ou moreninha, gordinha ou magrinha,de tal ou qual idade, etc…. Trata-se da possível relação futura, de quem está adotando, com a própria criança.

 PORQUE DESEJO ADOTAR?

Primeiro, se você quer adotar uma criança porque a casa está vazia, porque está carente de amor, porque os filhos já cresceram e casaram, porque eventualmente pode ter perdido um filho, porque tem problemas para engravidar, etc…. faça um favor à humanidade e compre um cachorro, um gato, um papagaio ou qualquer outro animal. Com certeza esse animal aprenderá a te amar, e fará isso, e você será uma pessoa feliz.

Se você quer adotar uma criança, sua resposta deve ser: eu tenho, ou nós temos, amor acumulado para doar a alguém. Essa é a verdadeira adoção, e que raramente trará problemas, porque é uma adoção por aceitação e não por conveniência, independente de sua idade, de sua situação social, ou das características da criança.

 UMA CRIANÇA TEM AMOR PARA DOAR?

Salvo no caso de uma criança que seja fruto da morte da mãe no parto, e que tenha recebido muito amor e aceitação durante a gravidez, em geral, uma criança em processo de adoção já trás consigo a rejeição e o abandono em sua carga emocional. É pouco provável que ela consiga amar mais que ser amada. Ela não sabe amar, ela traz em seu repertório emocional, decorrente da gravidez, o desamor. Ela precisa aprender o que é amor antes de mais nada, e isso só será possível se ela receber amor, muito amor, tanto que possa preencher seu campo emocional desse amor em quantidade maior que o desamor que está em si, e assim ela não precisará despertar a angústia e o sentimento de abandono internalizados, mesmo que inconscientemente,  e poderá, no futuro, praticar o amor relacional com seus pais adotivos.

Portanto, quer adotar uma criança: esteja pronto para amar, e não para ser amado ou amada. Quer ser amado ou amada? Repito, compre e adestre um animal, e será feliz.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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