Muitas pessoas, por várias razões, incluindo entre elas a não necessidade, jamais passaram por um processo psicoterapêutico, e ficam confusos quando descobrem que existe uma quantidade razoável de linhas de estudo e de teorias que fundamentam esses trabalhos.

Não raro, algumas pessoas já me questionaram sobre como cada linha trabalha, o que fazem, o que buscam e os resultados que oferecem. Claro que sempre procurei informar o máximo possível sobre, porém, em alguns momentos fica difícil apresentar uma abordagem que não é nossa base fundamental. Dessa forma, para mim fica mais fácil explicar como é passar por um trabalho psicoterapêutico na abordagem Gestáltica, que é minha base teórica e meu campo de atuação.

Há algum tempo, encontrei um texto que deixa de forma bem clara a ideia de como é FAZER PSICOTERAPIA COM UM GESTALT-TERAPEUTA. O texto é completo, por isso farei a reprodução do mesmo na íntegra. A fonte é o site Psicologias do Brasil, por Luciana Leite.

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Um dos diferenciais da Gestalt-terapia consiste na preocupação não apenas com os processos patológicos, diagnosticar e justificar transtornos; mas, principalmente, com os processos saudáveis de crescimento e desenvolvimento humanos, que beneficie o funcionamento do Ser.

Com essa intenção, chegou-se às seguintes propostas: a da Auto- regulação Organísmica, ou seja, a partir dela mesma, a pessoa pode identificar o que é melhor para si, e a dos Ajustamentos Criativos, que após essa descoberta do que é melhor para ela, a pessoa pode ampliar a consciência, de modo a perceber e experienciar possibilidades de como se colocar no mundo (ser-no-mundo), acolhendo as necessidades e anseios identificados.

O Gestalt-terapeuta entende que cada pessoa tem um sábio interior dentro de si e que para ouvi-lo é preciso aguçar o contato com os sentidos, com a própria percepção, ampliando-a e questionando verdades que sejam absolutas, além dos pensamentos frutos simplesmente de coerções sociais.

Daí o relevante espaço dado nas sessões as autodescobertas do cliente, assim como às suas sensações e emoções, em prol de apoiar os seus interesses, desejos, e necessidades genuínas. Além de identificar o que pode está gerando algum tipo de sofrimento psíquico e/ou afetando a sua funcionalidade no trabalho, em casa, nos ambientes sociais.

No dia-a-dia das sessões, uma das intenções do psicólogo gestaltista é confirmar essa sabedoria do seu cliente. Entendendo que, na maioria das vezes, a pergunta do terapeuta é a melhor resposta a ser dada ao cliente.

A relação que se estabelece entre cliente e terapeuta é um dos aspectos mais importantes do processo psicoterapêutico. O diálogo existencial é essencial na Gestalt-terapia. Propõe-se a configuração de uma relação terapêutica que prioriza o humano que há no outro, buscando uma experiência mútua de encontro genuíno, onde o cliente é recebido como ele é, com suas forças e fraquezas, limites e possibilidades. Sendo confirmado, aceito e valorizado nessas diferenças inerentes à singularidade de cada um.

Há uma dinamicidade nas sessões, pois pauta-se na valorização do aqui-e-agora, o que surge numa sessão como figura, na outra pode ir para o fundo, dando lugar a outra figura, então se lida com o que emerge, com o que é trazido pelo cliente em cada sessão. Sabendo que o que ficou em aberto, voltará em algum momento; daí o chavão “fechar Gestalten”.

A postura do psicólogo gestaltista não vem a ser diretiva, ou seja, não se coloca como senhor do saber. Ele propõe acompanhar o cliente no processo construído pelo próprio cliente, atentando-se para o modo como o conhecimento do mundo se realiza para cada pessoa. Por isso, prefere nomear a pessoa que busca fazer psicoterapia nessa abordagem, de cliente, ao invés de paciente, porque quem opta pela Gestalt assume um papel ativo no seu processo.

Pretende-se nessa linha da psicologia, a integração das experiências de vida, com as percepções corporais, mentais, emocionais e sensoriais envolvidas, abrangendo além de processos de ampliação da consciência do mundo interno, externo e das atividades mentais; o desenvolvimento do senso crítico; o despertar para o novo; e o questionar as tendências a repetir comportamentos, dando sempre espaço à importância da liberdade e da individualidade humana.

O processo psicoterapêutico propõe também a desconstrução de influências limitantes, a ressignificação do vivido e a atualização contextual das escolhas de vida, esperando que o ser humano oscile entre atitudes de autopreservação e de crescimento, sabendo que o novo é sempre nutritivo e rico.

Por fim, salvaguarda e corrobora com a autonomia do cliente, pelo autoconhecimento proporcionado e integração da fluidez proposta para o relacionamento consigo e com o mundo, entendendo que a vida é composta por dilemas e impasses, mas estando os seus recursos internos desenvolvidos/fortalecidos, a pessoa pode confiar no seu autossuporte e movimentar-se. Costuma-se falar que, a decisão da “alta” na psicoterapia gestáltica vem do cliente, confirmada pelo psicólogo(a), quando o cliente se percebe passando a ser o seu próprio terapeuta.

“A terapia possibilita ao indivíduo deixar de repetir de forma morta sua vida, apresentando um novo conflito criativo que convida ao crescimento, à mudança, ao excitamento e à aventura de viver” (Fritz Perls).

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Saúde e Paz.
Roberte Metring

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