Como você se sentiria se alguém lhe dissesse que sofre de normose, ou que você é um normótico? Um fumante sofre de normose? E um alcoólatra? Ou será que tem a ver com problemas do fígado e intestinos? Como você reagiria e a que profissional procuraria para descobrir se o que disseram de você é verdade mesmo? Afinal, que negócio é esse de normose, uma nova doença no catálogo?

Na verdade, normose é um termo cunhado, como diz Pierre Weil, por Jean Yves Leloup na França, para designar “o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria de uma determinada população e que levam à sofrimentos, doenças ou mortes, em outras palavras, que são patogênicas ou letais, e são executados sem que os seus atores tenham consciência desta natureza patológica, isto é, são de natureza inconsciente.” Ahhh, agora sim, entendi. O normótico é um sujeito que está procurando ser igual, e na verdade esta cavando sua sepultura?

Pode ser. Alíás, é provável que seja. Principalmente em nossos dias, onde é quase proibido ser diferente, e somos praticamente empurrados à fazer parte do padrão de normalidade social para sermos considerados, reconhecidos, para existirmos.

E assim, levados pela turba, vamos indo… indo… indo… sem maiores reflexões, sem poder de escolha, enfim…. quanto mais inconsciente quanto à sua natureza patogênica, quanto mais dentro do consenso em torno da sua normalidade, mais patogênico ou letal pode ser o comportamento normótico.

Infelizmente cada vez mais as pessoas estão abrindo mão de sua capacidade de discernimento, de escolher entre o tóxico e o saudável, entre o “dever” e o “desejar”, e se juntam a turba: onde a maioria for, onde a moda imperar mais forte, onde os hábitos serão mais aceitos, mesmo que sejam perniciosos, lá vai o sujeito. Assim ocorre com os modismos, os vícios, as violências, e tantos outros comportamentos. Me assusta que não parece haver uma normose para o bem estar, pessoal ou coletivo. Quem promove o bem estar não é normótico, é bobo, ingênuo, humilde, e tantos outros adjetivos mal utilizados.

Me pergunto então se a normose é algo aprendido, ou ensinado, como queiram? Será a normose um ato de educação que falhou no critério “critica” ainda na infância em ambiente familiar? Será a normose, um ato – como sabemos, pernicioso – fruto das relações familiares deficientes? Será por obra da ignorância? Do desconhecimento? Do descaso? Da nova era? Dos problemas de ensinagem? Das deficiências pedagógicas? Das falhas do sistema?

Várias serão as perguntas que poderão se abrir ao debate. Por ora, simplesmente desejo que cada leitor(a), leia e reflita sobre o que Pierre Weil escreve sobre normose, e comece a exercer pensamento crítico. Pretendo continuar escrevendo sobre, mas nesse momento, em que só desejo realmente abrir o assunto (pouco ainda se fala sobre isso), ficaria enfadonho, e nada ético, simplesmente repetir o que está tão bem escrito por outro autor.

Este blog fica aberto a todo tipo de comentários sobre normose. Fiquem à vontade. Quem sabe conseguimos abrir um debate, levar o assunto para os bancos acadêmicos? Que tal se cada leitor(a) sendo aluno de graduação ou pós, começasse a debater o assunto em pequenos seminários, grupos de estudo, etc, e pudéssemos começar uma reflexão social ou antropológica que pudesse ajudar a melhor dirigir os dias vindouros em termos de equilíbrio, qualidade de vida e saúde?

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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