Qualquer leigo que procure saber o que é ictecíria na internet ou em livros especializados ficará no mínimo assustado com uma pseudo-incapacidade de saber, pois os termos utilizados são no mínimo estranhos e inconclusivos.

Essa semana me foi perguntado em sala de aula sobre esse assunto, e não me atrevi responder no formato acadêmico, mas me propus a experimentar traduzir num discurso mais coloquial a fim de me fazer entender. Vou experimentar explicar.

O que é a icterícia?

Nosso sangue é constituido de células. Entre elas, as que são conhecidas como células vermelhas ou mais corretamente hemácias. As hemácias são as verdadeiras responsáveis pelo transporte de oxigênio aos tecidos, e têm uma vida média de 120 dias. Após esses 120 dias as hemácias são destruídas no baço, literalmente quebradas, e seus componentes menores são re-utilizados pelo próprio organismo para a produção de novas hemácias. Um desses componentes menores é a hemoglobina.

A hemoglobina também é convertida em partes menores, e uma dessas partes é a bilirrubina, um pigmento normal, de cor amarela, que circula no sangue e é capturado pelo fígado, metabolizado e misturado ao material digestivo através da bile, e excretado através das fezes.

Quando alguma parte desse complexo sistema está afetada, pode ocorrer icterícia, ou seja, um excesso de bilirrubina no sangue que proporciona cor amarelada à pela e ao globo ocular.

O que é a icterícia no recem-nascido?

Nos recém-nascidos, em particular, a icterícia se apresenta nos primeiros dias de vida, sem significar doença, e é chamada de “icterícia fisiológica” (ou normal), consequência de um processo adaptativo do organismo que ainda não sabe lidar com seus procesos metabólicos. A prevalência de icterícia entre recém nascidos não prematuros é de cerca de 2/3, aumentando significativamente nos prematuros.

Na grande maioria dos casos regride espontaneamente em poucos dias. Em alguns poucos casos deve receber tratamento para provocar a eliminação da bilirrubina pelas vezes, evitando assim os problemas do excesso de bilirrubina do sangue, e consequentemente no cérebro, que pode causar sequelas irreversíveis.

Em outros casos, a icterícia decorre de alguma doença, e passa a ser chamada de icterícia não-fisiológica.

Que doenças pode causar icterícia neonatal?

Em outras, podemos citar:

• Anemia hemolítica: quando as hemácias são destruídas em excesso; • Infecções; • Síndrome de Gilbert, de Criegler-Najar: distúrbios do funcionamento de enzimas que atuam no metabolismo da bilirrubina; • Icterícia do aleitamento materno (1 a 2% dos bebes); • Jejum prolongado; • Estenose hipertrófica do piloro.

Por que tratar a icterícia?

O principal objetivo do tratamento da icterícia não é exatamente evitar o amarelão da pele, mas evitar o acumulo de bilirrubina no cérebro, que pode causar uma doença chamada kernicterus, que traz grandes problemas ao desenvolvimento da criança, além de poder causar lesão cerebral e morte.

Os sintomas iniciais de kernicterus são: sonolência, inapetência e vômito, evoluindo para espasmos musculares no pescoço e costas provocando uma curvatura para trás. Os olhos do bebê podem girar para cima e ele pode apresentar convulsões e morrer. Retardo mental, paralisia cerebral, surdez e a paralisia dos movimentos dos olhos para cima, são alguns efeitos tardios desta doença quando nã evolui para óbito.

Os tratamentos mais utilizados são a fototerapia, como primeiro recurso na maiora dos casos, ou a exsangüinotransfusã, uma retirada de todo o sangue da criança e sua substituição por outro sem a concentração da bilirrubina, em último caso.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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