E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. Chegando, então, o tentador…” (Mateus 4:2, 3)” A tentação, quase sempre, não vem em nossos momentos de firmeza espiritual, mas, pelo contrário, quando nos sentimos mais frágeis.

Dessa maneira iniciava um email que recebi assinado por Paulo Barbosa, que não conheço pessoalmente. Era uma mensagem religiosa, porém, me fez pensar mais além. Me fez pensar no nosso momento de pânico frente ao virus H1N1. Me fez pensar sobre o que é saúde e doença, sobre o que é imunidade. Essa minha reflexão não é de hoje, meus alunos leitores desse blog bem sabem disso. Mas sempre me posicionei do ponto de vista da ciência, e de repente me ví frente aos mesmos questionamentos de um outro viés.

Assim como ocorreu a Cristo, quando passou pelo martírio da tentação, ocorre com nossos corpos, com nossos organismos. Quando estamos bem, quando estamos em equilíbrio, não sofremos das “tentaçãoes” do adoecimento, ou das ações dos tentadores (virus, bactérias, etc). Porém, quando começamos a passar para o limiar da fragilidade, por problemas na alimentação, no sono, nos hábitos saudáveis de higiene física e mental, começamos a abrir oportunidade para as invasões, assim como bem é descrita nos evengelhos a invasão espiritual sofrida por Cristo na famosa passagem da “tentação de Cristo“, quando esteve em situação de fragilidade depois de um longo tempo de jejum.

Quando, segundo essa escrita evangélica, estamos de posse de nosso equilíbrio espiritual, minimizamos a possibilidade de sofrermos influências espirituais perniciosas (leitor, acredite nisso da forma que possa, segundo seus próprios preceitos e ensinamentos religiosos), também posso pensar que estando em equilíbrio orgânico, minimizamos as chances de sofrermos influências de virus e bactérias, ou quando estamos em equilíbrio emocional, minimizamos as chances de pensamentos que possam nos desequilibrar mentalmente.

Cristo lutou com todas as “suas” forças contra a tentação, e venceu. Será possível que possamos fazer isso também? Preparar nosso organismo para lutar e vencer? Lembro de um ramo da ciência conhecido como psiconeuroimunologia que trata quase que exatamente disso, do treinamento da disposição orgânica para reagir, regenerar, curar. Seria Cristo, já naquele tempo, um psiconeuroimunologista?

Parece que a 2.000 anos Cristo já sabia disso, e mostrava a todos os que viriam na sequência: nós, nossos antepassados, nossos decendentes. Parece que ainda temos muito que aprender, e faço votos que ciência e religião deixem de ser primas inimigas e se assumam como irmãs na busca da organização corpo-espírito a fim de devolver a cada um de nós as capacidades inatas que herdamos do processo evolutivo e adaptativo, e assim, consigamos retomar o controle de nossas vidas nesse planeta.

E para encerrar, recorro ainda às passagens evangélicas, quando o mesmo Cristo disse: “se sua fé fosse do tamanho da semente de mostarda, você diria à montanha, mova-se, e ela se moveria“. Não estou fazendo apologia religiosa ao “entregar TUDO nas mãos de Deus”. Não conclamo esse tipo de atitude, nem uma fé absurda e cega. Não é minha área de estudo a religião ou a teologia. Conclamo às pessoas a procederem associações cognitivas inteligentes, a fazerem articulações entre os melhores ensinamentos, seja de onde vierem, a fim de despertar o poder que deve existir dentro de cada ser, de cada corpo, de cada organismo para sua reorganização e regeneração. Que cada um comece a treinar seu lado psiconeuroimunologista para obtenção do equilíbrio em saúde.

Pensemos nisso.

Roberte Metring

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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