Boa tarde.

Quero fazer uma reflexão sobre um comportamento que passa desapercebido por muita gente, mas que me incomoda muito, e sei que incomoda igualmente, não a quem pratica, mas a quem é o alvo da prática: a coisificação do outro.coisificar

Como bem temos ouvido, já há tempos, e de várias fontes, a palavra tem poder. E tem mesmo. O cérebro (humano ou animal) interpreta palavras e segue à risca as mensagens que elas transmitem. As palavras, no cérebro, não precisam ser necessáriamente escritas com letras, elas podem ser simplesmente faladas, e uma vez ouvidas, incorporadas no sistema neuronal, passam a servir de mensagens transmitidas pelos neurotransmissores, e rapidamente são incorparadas na forma de repertório. Uma vez repertorizado, provalmente em algum tempo começará a agir por baixo dos panos, ou seja, passamos a acreditar de uma forma “inconsciente” que a mensagem está correta. Pois bem….

Nós, seres humanos, prestamos atenção a tudo o que nos diz respeito, principamente às coisas que envolvem nosso nome. Passamos muito tempo aprendendo a responder a quem falava nosso nome, e incorporamos essa mensagem de tal forma, que hoje nem nos damos conta da importância que teve esse aprendizado na nossa constituição enquanto seres unicos, seres individuais, serem existentes.

Nosso nome é muito importante, mesmo que às vezes um apelido passe a ter maior importância que o nome de batismo, ainda assim, o apelido será nosso nome. Agiremos sempre na direção de nosso nome. Um exemplo é você estar numa festa barulhenta, tumultuada, cheia de distratores. De repente, seu nome aparece no ar, do nada, e sua atenção se volta na direção de onde o nome foi proferido. Sim, proferido, como se fosse uma palavra mágica. E é! A mágica que desperta seus neurônios e mostra que você existe. Ahh, como é bom existir. Tem pessoas que preferem até mesmo ouvir seus nome em situações de censura ou bronca, do que não ouvir nunca.

Mas vamos ao que me incomoda. Mesmo o nome sendo tão importante, em algumas situações tenho o desprazer de ver pessoas apontando pessoas (mesmo as ditas amadas), por … ESSA AI, … ESSE AI. Interessante que isto ocorre normalmente em situações grupais, de forma a deixar bem claro que ESSE AI, não tem tanto valor assim. ESSE AI, ou ESSA AI, passa a ser coisificada, sendo rebaixada a condições bem inferiores às suas reais. Passa a fazer parte da sala, como uma mesa, uma cadeira, uma coisa. As pessoas parecem utilizar o ESSE AI, ESSA AI, exatamente para deixar bem claro, perante o grupo, o grau de importância daquele ser naquele momento ou situação, mesmo que inconscientemente, talvez para demonstrar sua insatifação,  fazer parte do grupo, para seguir a moda ou sei lá o que. Nem se dá conta de que diminui a importância do outro consideravelmente.

Por que não se referir à pessoa como O FULANO DE TAL, A FULANA DE TAL, mesmo que seja para fazer uma censura. Por que não tratar o o outro com o respeito que ele merece como pessoa? Pare e pense: como você se sente quando alguém se refere a você como ESSA AI, ESSE AI. Normalmente quando uma pessoa quer demonstrar algum sentimento de apreço diz algo como EU ADORO A FULANA, EU AMO O FULANO; ninguém diz EU AMO ESSE AI. Por que?

Algumas pessoas ceramente dirão que me apego muito á palavras, seu sentido, seu significado, porém, sou um neuropesquisador, sei como o cérebro atua. Também sou um Psicólogo, entendo alguma coisa de emoções e de repertório emocional. Sei que o cérebro é capaz de acreditar no que é ouvido. E mesmo que seja uma mentrira, como dizem por ai, se repetida cem vezes, o cérebro toma como verdade. E tem muita gente por ai sendo ESSE AI, ESSA AI, e só.

Seja por que vejo a coisa dessa forma, seja porque as pessoas podem sentir o valor que tem, deixo a reflexão, e deixo também o convite para um treinamento: DEIXE DE SE REFERIR A QUALQUER PESSOA, PRINCIPALMENTE ÀS AMADAS, POR ESSE ou ESSA. Comece a treinar o respeito e chame as pessoas pelo nome, pelo apelido carinhoso, seja como for, mas dê a ela o conforto e o direito de saber que, pelo sim ou pelo não, você a respeita como pessoa, como ser.

Também sinalize isso para quem tem essa prática em relação a você, por uma questão de respeito próprio, de amor próprio. Veja os resultados em sua vida emocional. Veja como seu cérebro satisfará aos comandos recebidos tornando você uma pessoa com significado, com vida, com respeito.

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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