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Estava hoje relembrando quantas vezes tive que esclarecer a dúvida de meus alunos de graduação na UNC, e de formação em Gestalt-terapia, sobre a diferença entre Ego e Self, visto que esses conceitos foram trabalhados quase que distintamente entre Freud e Jung, e apropriados por linhas de trabalho psicoterapêutico em momentos e situações distintas.

Pois bem, vamos lá. Ego (em alemão ich, “eu”), refere-se a uma entidade psíquica que em conjunto com outas entidades (Id e Superego), intercambiando-se nos meandros escondidos do inconsciente, pré-consciente e consciente, formam a estrutura psíquica que nos permite viver, estabelecer relações, produzir e ser feliz (ou, em casos de desintegração ou bloqueios importantes, o contrário). Podemos afirmar que o Ego é o centro da consciência, responsável por captar, decodificar, integrar, armazenar e permitir o uso de todas essas informações na geração de comportamentos, sejam eles adaptativos ou não. É também o Ego responsável por estabelecer modos de proteção contra angústias, medos e ansiedades, através de mecanismos de defesa, utilizados ampla e abertamente por todos os seres, ou de forma viciada e restrita por aqueles que desenvolvem uma personalidade frágil, cristalizada ou inflexível. O Ego encarrega-se de armazenar e utilizar imagens criadas a partir da interpretação que faz do mundo, e a partir destas imagens, constrói uma concepção de si mesmo. Quando estamos falando em “meu” “mim”, estamos falando a partir do Ego, e por condições pré-estabelecidas por nossa concepção de mundo.

O Self (palavra derivada da língua inglesa), refere-se ao “si-mesmo”, e é identificado quando falamos do “eu”. É o ordenador superior dos processos psíquicos, portanto, o Ego está contido no Self, e não o contrário. De acordo com Jung “O Si mesmo representa o objetivo do homem inteiro, a saber, a realização de sua totalidade e de sua individualidade”. O Self é a emanação derivada do funcionamento integrado do Ego, Id e Superego no aparelho psíquico.

Gosto de usar o exemplo da lampada para ilustrar. A lâmpada é um conjunto de componentes que envolve bulbo, resistência, gases, controles eletrônicos (nas mais modernas), e tantos componentes quantos sejam necessários para que sua missão seja cumprida: gerar luz – que pode ser de cores e intensidade variadas conforme a arquitetura e engenharia envolvidas em sua construção, assim como Ego, Id e Superego são as “peças” envolvidas na arquitetura psíquica.  Dessa forma, segundo essa analogia, o Self da lâmpada é a emanação de sua luz quando está em funcionamento. Qualquer variação nos componentes, ou na força elétrica, pode causar uma alteração da luz emanada.

O Self é aquilo que emanamos de nós, aquilo que se torna nossa essência a partir dos componentes internos de nosso aparelho psíquico, da formação que lhe foi dada, etc. Portanto, cada pessoa, segundo sua constituição, possui basicamente os mesmos componentes, porém, a configuração, arrumação e ordenação desses, a energia que será utilizada para alimentá-los, as condições todas envolvidas, gerarão uma emanação típica daquele ser, diferente de todas as outras reais ou imaginárias, em outros seres humanos.

Lembre-se leitor(a), que esta aproximação metafórica é feita tomando como ponto de partida somente os constructos psicológicos. Certamente que o termo Self poderá ser também encontrado dentro das escolas esotéricas, das religiões orientais, dentro do judaísmo, espiritismo e outros, na forma de um elemento sútil e essencial, o que poderia ser chamado espírito. Em nada é impossível aumentar o campo de analogias e interpretações, como por exemplo, que o Ego estaria a serviço da realização deste Self, agora espiritualizado, e que a realização máxima do ser humano seria realizar suas essência. Mas isso é papo para outro post.

Saúde e paz.
Roberte Metring

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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