Muita pessoas acreditam mesmo nisso: foi de repente. Se você é dessas pessoas pare a leitura aqui.

A maioria de nós não entende, por exemplo, que a parada é o ápice do processo de desaceleração que se iniciou muito anteriormente, na decolagem. Quando estamos viajando de avião, no ápice da viagem, lá pelos 12 km de altura e mais ou menos 800 km por hora de velocidade, não percebemos quando inicia o processo de desaceleração para a descida – na maioria das vezes a desaceleração é muito lenta – a não ser depois de muitos vôos, ou seja, com alguma perícia nossos sistemas sensórios começam a perceber quando a velocidade cai e a altitude muda para baixo. Mas, de repente, ao bater no solo, os pilotos acionam os freios e os reversores de turbinas, e então sentimos o empuxo da freada. É assim com todos nós.

Na vida, a grande maioria das coisas acontecem mais ou menos assim (pouquíssimas não se encaixam nessa reflexão). Há um processo trabalhoso de colocar um projeto no ar (seja o que for, um trabalho, um romance, um relacionamento, um projeto, etc). É como o processo de embarque e taxiamento da viagem que faremos através de um avião. Um período de embarque, um período de assentamento, um período de taxiamento na pista, checagem de controles, checagem com a torre de comando, planos de voo, checagem das portas, checagem da segurança (cintos afivelados, poltronas na posição vertical, portas dos banheiros travadas, mesinhas de serviço de bordo travadas, etc. etc.), e enfim, a decolagem.

A decolagem não é “macia”. A aeronave deve fazer muito esforço para sair do chão. Sentimos o empuxo dos motores, o barulho aumenta, tudo começa a correr, nosso corpo gruda na poltrona, e … enfim… o grandão sai do chão. Por um tempo sentimos ainda os efeitos da aceleração, mas ela passa rápido, e também muito rapidamente não nos damos conta nem da altitude, nem da velocidade que a aeronave está imprimindo. Somente voltamos a sentir alguma coisa realmente significante, quando ela bate novamente no chão, na aterrizagem. Parece que foi de repente que o avião aterrizou. Mas não foi. Tudo foi um processo, e os pilotos se empenharam bastante para que a aterrizagem ocorresse com o menor desconforto possível. E tudo dá certo (quase sempre).

Se carregarmos a analogia para nossas vidas, tudo ocorre assim. Ou seja, nada é de repente. Simplesmente deixamos de observar os detalhes do próprio voo. Deixamos de perceber o que está desacelerando, o que precisa desacelerar, o que precisa de um empuxo, o que queremos manter “em voo”, o que queremos fazer aterrizar, etc.

Pessoas que vivem a vida mais “conscientemente”, são capazes de perceber mudanças nas nuances do voo da vida. Mas nossa vida atualmente, conduzida pela velocidade da luz da tecnologia da informação, das exigências sociais, da exigência de sucesso e bem estar, etc, está tirando de nós o foco da consciência. Não estamos usando o cérebro para fazer contato com o mundo e com a vida, estamos simplesmente usando os motores para voar, sem tomar conta de “como” e de “quanto combustível temos”. As redes sociais, o álcool e as drogas, atualmente, tem ajudado muito à distração de tal estado de consciência, nos tirando do foco do voo, para o foco da preensão da paisagem, do aprisionamento do momento. É necessário retomar o controle do nosso “voo”.

O pequeno trecho de vídeo abaixo, que sugiro seja assistido, nos dá um puxão de orelha para acordarmos do sonho da “matrix” e passarmos a viver o mundo da realidade, que, por mais difícil, sórdida e confusa que seja, é ela que está no plano de voo.

Nada acontece por acaso, acredite. Pelo sucesso ou pelo fracasso, nós, nós mesmos, trabalhamos com afinco e dedicação para conseguirmos o resultado que obtemos, e por, quase sempre, muito, muito tempo.

Saúde e paz.

Roberte Metring

 

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